Gibi Raro
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Personagem
Victory

Victory Contra Ataca  - Editora Talismã

Mini- Serie  em  4 partes

HQ: Victory contra-ataca

Waldomiro Vergueiro
20 de Abril de 2004

De um lado, uma deusa de corpo escultural - ou, para ser mais preciso, uma meio-elfa semideusa - e trajes sumários que responde pelo nome de Vitória, possuidora da metade de um poder infinito (seja lá o que isso for...) e perdida de seu mundo original. Do outro, um ser titânico chamado KAthanoa, com uma altura trinta vezes maior que o Monte Everest, atingindo 26 quilômetros, 550 metros e provavelmente também mais alguns centímetros, já que essas medidas nunca são muito precisas (ou seja, alto pra caramba...). Acrescente-se a isso o amplo espaço de imaginação proporcionado pelos jogos de RPG e seus praticantes e já se terá um palco privilegiado para o enfrentamento entre os dois oponentes. Com grande eficiência, este palco é proporcionado pelas páginas da minissérie brasileira Victory contra-ataca, cujo último número foi recentemente disponibilizado nas bancas brasileiras.
A simples descrição do embate central da minissérie já dá uma idéia das possibilidades de emoções que ela poderá trazer aos leitores. Lutas devastadoras. Destruição sem medida. Imagens estonteantes. Arrepios de suspense. Ansiedade pelo desfecho do embate, etc., etc. etc. Tudo isso e talvez um pouco mais é encontrado nessa história, forjada a partir da despretensiosa proposta de elaborar uma história em quadrinhos de aventura que consiga prender seus leitores em suas páginas e despertar sua curiosidade a respeito das personagens.
Ainda que despretensiosa - ou, por outr aspecto, muito pretensiosa, já que ultimamente inúmeros autores de histórias em quadrinhos não têm mais como finalidade de seu trabalho proporcionar entretenimento -, a minissérie consegue dar conta do recado de forma bastante satisfatória. Em páginas bem elaboradas, com personagens coadjuvantes que ajudam na identificação do leitor com o ambiente em que a trama transcorre - principalmente se forem jogadores de RPG -, Victory contra-ataca  desperta a atenção como uma produção quadrinhística de alto nível.
No entanto, as loas que poderiam ser feitas à minissérie brasileira poderiam ir além. Existe com certeza mais motivo para regozijo em relação a essa publicação daEditora Talismã do que sonha a nossa vã filosofia, como diria Shakespeare. Mais do que uma história cativante, bem escrita, bem desenhada, bem colorida e com belíssimas capas, ela representa - e por favor perdoem o trocadilho infame -, uma expressiva vitória para o quadrinho nacional. E isto não é ufanismo exagerado, pois, como traz com destaque nas capas dos três primeiros números, trata-se de uma revista brasileira que é sucesso nos Estados Unidos. É um fato não muito comum na produção brasileira e certamente merece ser devidamente festejado. Afinal, isto pode representar o início de uma invasão de publicações brasileiras de histórias em quadrinhos nos Estados Unidos, desbancando os tradicionais super-heróis da Marvel, DC, Image... (Oops! Melhor parar. Isto, sim, é ufanismo exagerado...).
Ufanismos à parte, o certo é que a minissérie Victory contra-ataca tem elementos que a credenciam a ir além dos pobres e muitas vezes viciados mares brasileiros de quadrinhos. Tem uma história interessante, bem fundamentada e instigante, com personagens bem construídos e cativantes, fruto do trabalho criativo do roteiristaMarcelo Cassaro, sem dúvida um dos melhores do país na atualidade, um veterano autor que conta em seu currículo a criação da já consagrada personagem Holy avenger e da minissérie Dungeon Crawlers, esta última uma obra que recebeu muitos elogios quando de seu lançamento alguns meses atrás e que é também virtual candidata a uma carreira no exterior. Tem desenhos bem elaborados e um designmoderno, resultado do esforço e cuidado do desenhista Eduardo Francisco, também responsável pela arte-final. Além disso, à frente da colorização da revista estão André VazziosRod Reis e Ricardo Riamonde, que agregam valor ao trabalho artístico de Eduardo, ajudando a elaborar um produto que parece se adequar bem ao mercado norte-americano. Nesse sentido, também como uma resposta a esse mercado parecem ter sido elaboradas as capas da minissérie, nas quais se destacam as duas belíssimaspin-ups da protagonista nos traços de Roger Cruz Rodrigo Reis, bem como o logotipo especialmente elaborado por André Vazzios. Tudo isso leva a acreditar que se trata de uma obra planejada para obter boa aceitação no mercado a que se propôs ser comercializada, o que parece estar conseguindo fazer.
Por outro lado, é importante salientar que esta não é a primeira vez em que a história narrada em Victory contra-ataca chega aos leitores brasileiros. Na realidade, trata-se de uma segunda versão das aventuras dessa personagem: ela debutou em publicação própria no país durante os meses de maio a julho de 2000, nos três números da minissérie Victory, elaborada, além dos autores de agora, também por Rodrigo Reis, responsável pela colorização de dois números inteiros. Posteriormente, de setembro a dezembro de 2001, Vitória apareceria em uma segunda minissérie, desta vez com roteiro de Petra Leão Urameshi, desenhos de Eduardo Francisco e cores deRicardo Riamonde (Petra, aliás, colaborou ativamente na edição atual de Victory Contra-Ataca, influenciando na caracterização dos coadjuvantes e escrevendo partes do roteiro utilizado na minissérie para o exterior). Nesse sentido, é interessante refletir sobre as mudanças entre a primeira versão, elaborada com vistas ao mercado brasileiro, e esta última, que teve o mercado norte-americano como seu alvo principal.
O que aconteceu entre uma versão e outra? As melhoras foram positivas ou negativas?
De uma certa forma, pode-se dizer que houve um amadurecimento tanto na história como das personagens, fruto exatamente dessa mudança de público preferencial. A protagonista ficou mais sensual, com formas mais arredondadas e seios abundantes (taí um outro trocadilho horrível...), aproximando-se mais da idéia de uma femme fatale que da concepção de uma adolescente seminua e meio ingênua que parece ter dominado a primeira versão, denotando a intenção, talvez até mesmo inconsciente, de cativar os tradicionais leitores norte-americanos de quadrinhos, sabidamente jovens adolescentes fascinados por bem-moldadas cinturas e avantajados seios femininos (os closes da protagonista, inclusive de seus atributos físicos mais salientes, parecem muito mais freqüentes do que na primeira versão...). Também mudaram as cores, que ficaram mais escuras, trazendo um clima sombrio ao conjunto, praticamente transmitindo a idéia de que todos os fatos ocorrem à noite ou ao final da tarde. Por seu lado, os coadjuvantes também perderam um pouco do ar infantil que tinham, afastando-se um pouco do modelo dos mangás. Diminuíram-se as caretas, as cenas de deformação cômica (SD) e algumas piadas foram atenuadas, talvez buscando dar um ar mais maduro ao conjunto. Um cuidado especial foi dado à reprodução de artefatos tecnológicos, atualizando-os: por exemplo, o avião ASN (Anti-Submarine Warfare), antes um meio desengonçado cargueiro da Força Aérea Brasileira, passou a ser representado como um moderno caça, daqueles utilizados pela U.S. Air Force para bombardear o Iraque e o Afeganistão.
Talvez essas mudanças representem o preço a pagar para se atingir novos mercados. É uma adaptação necessária, com certeza. No entanto, é quase uma tentação irresistível lamentar que, no caso de Victory contra-ataca, a busca do sucesso comercial em outras plagas tenha representado a perda de alguns elementos positivos da versão original, como a diminuição no ritmo alegre e bem humorado da narrativa e a claridade de algumas páginas. Por outro lado, ainda que isto possa deixar um pouco incomodado o leitor brasileiro que já se havia acostumado ao modelo anterior, certamente não é suficiente para desmerecer o trabalho dos idealizadores, que deve continuar a ser encarado como uma grande realização do quadrinho nacional.
Em quatro números e colorida, a minissérie Victory contra-ataca foi publicada pela Editora Talismã, ao preço de R$ 2,99 cada número.

 

Victory Contra Ataca  - Editora Talismã

Mini- Serie  em  4 partes

HQ: Victory contra-ataca

Waldomiro Vergueiro
20 de Abril de 2004

De um lado, uma deusa de corpo escultural - ou, para ser mais preciso, uma meio-elfa semideusa - e trajes sumários que responde pelo nome de Vitória, possuidora da metade de um poder infinito (seja lá o que isso for...) e perdida de seu mundo original. Do outro, um ser titânico chamado KAthanoa, com uma altura trinta vezes maior que o Monte Everest, atingindo 26 quilômetros, 550 metros e provavelmente também mais alguns centímetros, já que essas medidas nunca são muito precisas (ou seja, alto pra caramba...). Acrescente-se a isso o amplo espaço de imaginação proporcionado pelos jogos de RPG e seus praticantes e já se terá um palco privilegiado para o enfrentamento entre os dois oponentes. Com grande eficiência, este palco é proporcionado pelas páginas da minissérie brasileira Victory contra-ataca, cujo último número foi recentemente disponibilizado nas bancas brasileiras.
A simples descrição do embate central da minissérie já dá uma idéia das possibilidades de emoções que ela poderá trazer aos leitores. Lutas devastadoras. Destruição sem medida. Imagens estonteantes. Arrepios de suspense. Ansiedade pelo desfecho do embate, etc., etc. etc. Tudo isso e talvez um pouco mais é encontrado nessa história, forjada a partir da despretensiosa proposta de elaborar uma história em quadrinhos de aventura que consiga prender seus leitores em suas páginas e despertar sua curiosidade a respeito das personagens.
Ainda que despretensiosa - ou, por outr aspecto, muito pretensiosa, já que ultimamente inúmeros autores de histórias em quadrinhos não têm mais como finalidade de seu trabalho proporcionar entretenimento -, a minissérie consegue dar conta do recado de forma bastante satisfatória. Em páginas bem elaboradas, com personagens coadjuvantes que ajudam na identificação do leitor com o ambiente em que a trama transcorre - principalmente se forem jogadores de RPG -, Victory contra-ataca  desperta a atenção como uma produção quadrinhística de alto nível.
No entanto, as loas que poderiam ser feitas à minissérie brasileira poderiam ir além. Existe com certeza mais motivo para regozijo em relação a essa publicação daEditora Talismã do que sonha a nossa vã filosofia, como diria Shakespeare. Mais do que uma história cativante, bem escrita, bem desenhada, bem colorida e com belíssimas capas, ela representa - e por favor perdoem o trocadilho infame -, uma expressiva vitória para o quadrinho nacional. E isto não é ufanismo exagerado, pois, como traz com destaque nas capas dos três primeiros números, trata-se de uma revista brasileira que é sucesso nos Estados Unidos. É um fato não muito comum na produção brasileira e certamente merece ser devidamente festejado. Afinal, isto pode representar o início de uma invasão de publicações brasileiras de histórias em quadrinhos nos Estados Unidos, desbancando os tradicionais super-heróis da Marvel, DC, Image... (Oops! Melhor parar. Isto, sim, é ufanismo exagerado...).
Ufanismos à parte, o certo é que a minissérie Victory contra-ataca tem elementos que a credenciam a ir além dos pobres e muitas vezes viciados mares brasileiros de quadrinhos. Tem uma história interessante, bem fundamentada e instigante, com personagens bem construídos e cativantes, fruto do trabalho criativo do roteiristaMarcelo Cassaro, sem dúvida um dos melhores do país na atualidade, um veterano autor que conta em seu currículo a criação da já consagrada personagem Holy avenger e da minissérie Dungeon Crawlers, esta última uma obra que recebeu muitos elogios quando de seu lançamento alguns meses atrás e que é também virtual candidata a uma carreira no exterior. Tem desenhos bem elaborados e um designmoderno, resultado do esforço e cuidado do desenhista Eduardo Francisco, também responsável pela arte-final. Além disso, à frente da colorização da revista estão André VazziosRod Reis e Ricardo Riamonde, que agregam valor ao trabalho artístico de Eduardo, ajudando a elaborar um produto que parece se adequar bem ao mercado norte-americano. Nesse sentido, também como uma resposta a esse mercado parecem ter sido elaboradas as capas da minissérie, nas quais se destacam as duas belíssimaspin-ups da protagonista nos traços de Roger Cruz Rodrigo Reis, bem como o logotipo especialmente elaborado por André Vazzios. Tudo isso leva a acreditar que se trata de uma obra planejada para obter boa aceitação no mercado a que se propôs ser comercializada, o que parece estar conseguindo fazer.
Por outro lado, é importante salientar que esta não é a primeira vez em que a história narrada em Victory contra-ataca chega aos leitores brasileiros. Na realidade, trata-se de uma segunda versão das aventuras dessa personagem: ela debutou em publicação própria no país durante os meses de maio a julho de 2000, nos três números da minissérie Victory, elaborada, além dos autores de agora, também por Rodrigo Reis, responsável pela colorização de dois números inteiros. Posteriormente, de setembro a dezembro de 2001, Vitória apareceria em uma segunda minissérie, desta vez com roteiro de Petra Leão Urameshi, desenhos de Eduardo Francisco e cores deRicardo Riamonde (Petra, aliás, colaborou ativamente na edição atual de Victory Contra-Ataca, influenciando na caracterização dos coadjuvantes e escrevendo partes do roteiro utilizado na minissérie para o exterior). Nesse sentido, é interessante refletir sobre as mudanças entre a primeira versão, elaborada com vistas ao mercado brasileiro, e esta última, que teve o mercado norte-americano como seu alvo principal.
O que aconteceu entre uma versão e outra? As melhoras foram positivas ou negativas?
De uma certa forma, pode-se dizer que houve um amadurecimento tanto na história como das personagens, fruto exatamente dessa mudança de público preferencial. A protagonista ficou mais sensual, com formas mais arredondadas e seios abundantes (taí um outro trocadilho horrível...), aproximando-se mais da idéia de uma femme fatale que da concepção de uma adolescente seminua e meio ingênua que parece ter dominado a primeira versão, denotando a intenção, talvez até mesmo inconsciente, de cativar os tradicionais leitores norte-americanos de quadrinhos, sabidamente jovens adolescentes fascinados por bem-moldadas cinturas e avantajados seios femininos (os closes da protagonista, inclusive de seus atributos físicos mais salientes, parecem muito mais freqüentes do que na primeira versão...). Também mudaram as cores, que ficaram mais escuras, trazendo um clima sombrio ao conjunto, praticamente transmitindo a idéia de que todos os fatos ocorrem à noite ou ao final da tarde. Por seu lado, os coadjuvantes também perderam um pouco do ar infantil que tinham, afastando-se um pouco do modelo dos mangás. Diminuíram-se as caretas, as cenas de deformação cômica (SD) e algumas piadas foram atenuadas, talvez buscando dar um ar mais maduro ao conjunto. Um cuidado especial foi dado à reprodução de artefatos tecnológicos, atualizando-os: por exemplo, o avião ASN (Anti-Submarine Warfare), antes um meio desengonçado cargueiro da Força Aérea Brasileira, passou a ser representado como um moderno caça, daqueles utilizados pela U.S. Air Force para bombardear o Iraque e o Afeganistão.
Talvez essas mudanças representem o preço a pagar para se atingir novos mercados. É uma adaptação necessária, com certeza. No entanto, é quase uma tentação irresistível lamentar que, no caso de Victory contra-ataca, a busca do sucesso comercial em outras plagas tenha representado a perda de alguns elementos positivos da versão original, como a diminuição no ritmo alegre e bem humorado da narrativa e a claridade de algumas páginas. Por outro lado, ainda que isto possa deixar um pouco incomodado o leitor brasileiro que já se havia acostumado ao modelo anterior, certamente não é suficiente para desmerecer o trabalho dos idealizadores, que deve continuar a ser encarado como uma grande realização do quadrinho nacional.
Em quatro números e colorida, a minissérie Victory contra-ataca foi publicada pela Editora Talismã, ao preço de R$ 2,99 cada número.

 

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